Ora ontem foi dia de jantar com a grupeta de amigos que está por Lisboa.
Os amigos por sua vez, convidaram outros amigos.
Fomos jantar perto do rio. Esplanada com um bocadito de vento, mas absolutamente suportável.
Entre conversas e copos, lá percebi que estávamos à espera de uma amiga da M. para iniciar a refeição.
O atraso tinha justificação. A rapariga estava grávida e tinha ido fazer uma ecografia... a tal para saber o sexo do bebé.
Lá esperámos.
Lá apareceu a rapariga.
E mal ela chegou, umas 6 raparigas cercaram-na, todas com a mesma pergunta: "Então?!! Diz lá! Diz láááá...."
Nisto a rapariga começa a chorar.
Ficou tudo em silêncio.
Pensou tudo o mesmo.
E nisto ela diz: " Eu fiz tudo tão certinho... tão certinho. Merda para isto."
Silêncio.
Até que uma alminha, namorado de uma amiga, lá se enche de coragem e pergunta: "Mas o médico disse que o bebé tem algum problema??!!"
Ao que ela responde: "O problema é que vou ter um rapaz. Eu não quero que isto (e aponta para a barriga), seja um rapaz..."
Eu ri-me e pensei que a rapariga estava naquele estado por causa das hormonas.
Mas enganei-me.
Estava verdadeiramente possuída.
Disse coisas horríveis sobre aquele filho. Chamou-lhe nomes.
E no fim rematou: "O pior é que com este tempo de gestação, já não posso abortar!"
Bem, o incómodo na mesa foi aumentando.
Toda a gente como muita paciência, lá lhe foi dizendo que um filho com saúde é uma bênção, seja lá rapaz ou rapariga.
As que já eram mães, lá lhe contaram do momento em que olharam o filho pela primeira vez, que o tiveram nos braços...
Nada a demovia.
Até que ela chega ao absurdo de dizer que seguiu à risca um programa que encontrou na net, que não só lhe explicava o período fértil, como lhe indicava os dias em que a probabilidade de gerar uma menina, era maior.
Oh my God!
Tamanha ignorância!!!
Aí levou um leve raspanete de um gajo presente, que por acaso até é médico e lhe saltou a tampa!
O jantar correu tão mal... Tudo com umas quantas críticas entaladas na garganta para dizer à grávida.
Saí de lá a pensar naquele bebé.
A caminho do carro, o meu homem pergunta-me: " Se um dia tivermos um filho, queres que seja rapaz ou rapariga?!"
Eu tranquilizei-o. Disse-lhe a verdade: "Que venha com saúde, é só o que quero."
Ele acenou com a cabeça e deu-me um beijo na testa.
Hoje, continuo a pensar naquele bebé.